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Como fazer rádio



Rádio se faz em equipe.
Essa é uma premissa básica para o desenvolvimento de um programa ou de qualquer produto do veículo rádio. Hoje em dia, raras exceções são encontradas para essa afirmação. É muito difícil encontrar profissionais que apurem as informações ou pautas, escrevam, produzam, e, ainda, façam os trabalhos de edição de áudio de uma rádio. Em rádios tradicionais, é comum a função do locutor-operador, aquele profissional que ao mesmo tempo em que faz a locução dos programas, ainda faz a operação dos equipamentos técnicos. Mas esses profissionais trabalham “ao vivo”. Geralmente, tocam músicas e apresentam anunciantes. Nada comparado ao tipo de trabalho que um programa com uma maior qualidade técnica requer, como veremos abaixo, com as funções que podem ser desempenhadas numa equipe de rádio.

Funções dentro da equipe

Pauta e Apuração:
Função jornalística. O pauteiro ou apurador é responsável pelo levantamento de todas as informações a serem veiculadas no jornalismo de rádio. Em programas de ficção, essa função é desempenhada pelo roteirista (vide abaixo).

Roteiro:
O roteirista é quem escreve todo o programa, das palavras a serem ditas pelo locutor até os efeitos sonoros e de edição a serem utilizados. Tudo o que será produzido e gravado deverá estar previamente escrito no roteiro. O texto no rádio deve ser simples, direto, conciso, entre outros aspectos vistos no módulo anterior, sobre a “oralização do texto”.

Produção:
O produtor é geralmente o profissional que mais trabalha, pois ele entra em contato com todos os indivíduos envolvidos com o programa, servindo como ponte entre o diretor e toda a equipe. A produção de um programa radiofônico é feita antes da gravação. Entre as funções de um produtor, pode-se destacar o agendamento de todas atividades, a mobilização da equipe, a reserva e compra ou o aluguel de equipamentos e de estúdio.

Locução:
Trabalho essencialmente técnico, o principal requisito para uma boa locução é a voz (como também já foi tratado no módulo sobre locução) Módulo Intermediário 3 da Mídia Rádio - Oralidade Mediatizada. O locutor é uma das peças-chave de qualquer tipo de programa de rádio, pois a clareza na exposição do conteúdo depende, e muito, de uma voz clara, bem entonada, nítida e de uma boa dicção.

Operação/Edição de áudio:
Assim como a locução, a edição de áudio é um trabalho considerado essencialmente técnico. Mas um bom repertório lingüístico e, principalmente, musical é essencial para o melhor desempenho dessa função.

Direção:
O diretor é o responsável pelo conteúdo final do programa, sendo aquele que tem a maior responsabilidade, pois toda a equipe está subordinada às suas decisões. Ele é o responsável pela integração e formatação final de tudo o que foi roteirizado, produzido e gravado. Da mesma forma que no cinema, o diretor é o autor final do programa radiofônico.

Alô, SOM!

Numa definição simples, podemos dizer que o som é produzido por corpos em vibração e transmitido pelos deslocamentos dos movimentos vibratórios através do espaço. O meio de propagação é, em geral, o ar. A energia sonora se propaga no ar e em todas as direções em forma de onda, qualquer que seja a fonte que a emitiu. As características importantes de uma onda sonora são: a velocidade de propagação, a amplitude de intensidade de campo e a freqüência.
O som se qualifica pela altura, intensidade e timbre. A altura está ligada à freqüência da vibração sonora no ar - notas altas, freqüências altas, sons agudos; notas baixas, freqüências baixas, sons graves. O som varia de intensidade para mais e para menos. A medida de intensidade se dá pela unidade chamada decibel.

A intensidade está relacionada com o volume do som. Uma corda de violão emite uma nota musical com uma intensidade. Se o violão estiver ligado a um amplificador, a mesma nota (mesma freqüência) será ouvida com maior intensidade. O timbre pode ser chamado de “a cor do som”. É a diferença que percebemos quando ouvimos, ao mesmo tempo, os sons da flauta e do piano, por exemplo. É o timbre que permite que as vozes humanas sejam distintas. Cada pessoa tem um timbre característico.

É válido falar, também, dos fenômenos sonoros: ressonância, eco e reverberação.

A ressonância acontece quando, numa sala hermeticamente fechada, são colocados dois violões perfeitamente afinados. Ao fazer vibrar o bordão de um violão, o bordão do outro também soará. Qualquer corda que esteja afinada dentro da escala harmônica, no ambiente, soará da mesma forma.

O eco é um fenômeno de reflexão das ondas sonoras num plano vertical. Observa-se o eco quando entre a fonte sonora e a superfície refletora existe uma distância suficiente para que se possa distinguir o som direto do som refletido. Esse fenômeno é a base lógica de funcionamento do radar.

A reverberação é a persistência do som numa sala, mesmo após haver cessado a vibração da fonte que lhe deu origem. É um fenômeno de bastante importância para a acústica e é produzido em virtude dos ecos múltiplos nas diversas superfícies de uma sala.



A Sonoplastia

É a arte de dar plasticidade ao que se vê ou ouve através de sons - desde a música até os ruídos, que são chamados de efeitos sonoros. No caso do rádio, sua função é muito mais destacada, uma vez que se torna suporte à imaginação do ouvinte, dando-lhe elementos sonoros que permitem a construção de uma imagem.

A função da sonoplastia, seja no rádio, na TV ou no cinema, é a de reforçar a percepção sensorial da transformação dos estados narrativos, podendo ser bem sucedida, essencialmente quando os sons são empregados para estimular as emoções mais marcantes. A inserção da sonoplastia facilita a absorção do tema da mensagem e estimula esferas emotivas. Como exemplo, podemos citar os “jingles” compostos especialmente para comerciais de TV de algumas marcas famosas.

Linguagem musical

Os sons exercem papel de extrema importância na vida humana, eles possibilitam a interação das pessoas com a natureza e com a vida social. Os sons podem provocar reações individuais ou coletivas. Uma sirene indicando sinal de alerta, causa uma reação semelhante na maioria das pessoas, isto graças ao tipo de emissão sonora, baseada em uma grande intensidade e altura do som e a uma convenção social, de que este tipo de ruído geralmente indica perigo.

A linguagem sonora mistura as características do som (ritmo, altura, intensidade e timbre) à convenção social da significação de um determinado som. Os sons fazem parte do texto, da ação. O grande objetivo da sonoplastia está nos efeitos subjetivos, que valorizam, sugerem, definem ou reforçam e comunicam situações, reações, sentimentos, fatos, pessoas, mensagens etc.

A música e a comunicação sempre estiveram ligadas. Em épocas remotas, o homem já utilizava a música para externar seus sentimentos. Mesmo nas comunidades mais primitivas, a música já exercia papel de extrema importância. O homem adorava seus deuses através da música, transportando-se aos mais elevados estados de sensação espiritual. As músicas podem despertar diferentes interpretações para o seu significado, graças ao seu pouco convencionalismo.


A linguagem musical é toda a atuação da sonoplastia como elemento de apoio e ilustração. Não é fácil, no entanto, definir emoções e atribuir sentimentos a determinados sons, pois cada indivíduo é capaz de ativar diferentes estados emocionais, dependendo de vários fatores, como cultura, classe social, história pessoal e preferência musical. Contudo, a música é uma linguagem universal e não existem barreiras idiomáticas para a compreensão de sentimentos e emoções, o que torna mais fácil à recepção de uma mensagem.

O trabalho de sonoplastia exige uma considerável soma de tempo na produção como um todo, pois é necessário dedicar-se à busca de um som adequado.

Para orientar a seleção da sonoplastia é preciso analisar a função da mesma para o contexto social em foco, podendo utilizar uma classificação centrada na referência espacial (por exemplo: o frevo, em Pernambuco; o samba, no Rio de Janeiro etc.); temporal, músicas que levam o receptor a determinadas épocas, não pela data de criação da música, mas pelo estilo de época (por exemplo, o “charleston”, remonta aos anos 20); ou, ainda, na referência psicológica (música e emoção sempre caminharam juntas). O ser humano é um arquivo imenso de emoções. A música pode, assim, despertar sentimentos de alegria, tristeza, melancolia, medo etc.

Para a sonoplastia , a utilização de ruídos (vozes, sirenes, buzinas, sons de máquinas e da própria natureza, que rodeiam o cotidiano do homem) tem o objetivo de aproximar o texto radiofônico da realidade. Por exemplo, em um comercial ambientado no campo, certamente a utilização de ruídos de animais e de fenômenos da natureza, como o som da chuva e do vento, colabora para a plasticidade do comercial.
  • O responsável pela sonoplastia lança mão de seus conhecimentos sonoro-musicais para analisar o tema central da mensagem, da seqüência de transformações da narrativa radiofônica.
  • O tema central e sua dinâmica devem trazer os valores culturais do público a ser atingido. Por isso, é imperioso ter atenção especial à identidade cultural do público alvo.
  • O profissional precisa estar atualizado quanto às transformações ocorridas na sociedade para poder analisar e interpretar o gosto médio do público, podendo, assim, selecionar uma sonoplastia que seja adequada e originalmente instigante.
  • Guiado pela sua sensibilidade e pelas características do público alvo, o sonoplasta empreende uma viagem pelo universo sonoro em busca daquele som adequado à narrativa.

Fonte: usp.br - Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação, da Secretaria de Educação a Distância do MEC

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